A freguesia de Nossa Senhora de Fátima
comemorou a 7 de Fevereiro de 2003 os seus 44 anos.
Mas onde hoje são avenidas largas e cheias de árvores, prédios clássicos e modernos, residências e escritórios há um chão que tem história. Que faz parte da nossa História…
A freguesia de Nossa Senhora de Fátima nasceu legalmente há 44 anos, mas há muito para trás que ficou por contar. Uma história que está intimamente ligada com o crescimento da própria cidade de Lisboa e das freguesias de S. Sebastião da Pedreira e do Campo
Grande, de cujos territórios se desanexou em 1959.
Não são muito rigorosos os testemunhos históricos sobre esta zona da cidade, mas ainda há assim há vestígios que não deixam margem para dúvidas: os objectos de sílex e cerâmica do
neo-eneolítico descobertos entre a avenida 5 de Outubro e a avenida das Forças Armadas, permitem situar o achado algures no ao 50 da era cristã.
Segundo os dados históricos, era pela a Avenida da República, ainda em território da nossa freguesia, que devia passar a estrada romana que ligava Lisboa a Loures e daí a Torres Vedras. Por essa estrada antiga passavam os produtos que vinham para a metrópole, criados nas zonas rurais que bordejavam a
cidade.
É do século XII, por volta de 1180, que surge a primeira designação de Alvalade, degeneração do étimo al-balat, que significa “o campo”. Era, precisamente, um planalto tomado pelos muçulmanos e onde surgiriam várias propriedades detidas por
religiosos.
À medida que os campos de Alvalade iam sendo ocupados, as populações estendiam-se no território. Assim nasce o Rego, porque ali corria um regato, vindo do Campo Pequeno em direcção a Palhavã, seguindo para a Ribeira de Alcântara.
Terramoto apressa crescimento
O terramoto de 1755 viria a constituir um ponto de viragem no crescimento do território lisboeta, sobretudo da zona hoje conhecida como as avenidas novas. Assustados com o terramoto e depois da destruição de grande parte da baixa pombalina, os moradores procuravam lugares mais seguros. Começou assim a expandir-se a zona, com o surgimento de novas quintas e o alargamento das já
existentes. Um cenário, evidentemente, muito diferente do existente
actualmente.
Em pleno século XVIII, existiam no território onde actualmente está implantada a freguesia dois templos religiosos: o Convento de Nossa Senhora da Conceição, na Quinta dos Louros, na estrada do Rego para o Campo Pequeno, e o Recolhimento de Nossa Senhora dos Mártires, que se situava na rua da Piedade ao Rego, que é, nem mais nem menos, a actual Rua da Beneficência.
É nos idos de Oitocentos que se começam a formar, com maior pormenor, os limites da nossa freguesia. Em pleno século XIX, na vasta área onde hoje se situa a Fundação Calouste Gulbenkian e os seus deslumbrantes jardins
encontravam-se árvores do Provedor dos Armazéns. A antiga estrada do Rego (actual Rua Marquês Sá da Bandeira) entrecruzava-se com a Rua das Cangalhas, nem mais nem menos do que a actual Conde de
Valmor.
Entretanto, na confluência da Igreja de Nossa Senhora de Fátima com as actuais Conde Valmor e Elias Garcia existia uma horta de grandes dimensões, a Horta do Castilho e a Quinta de D. Teresa, de onde seguia até ao Campo Pequeno a Quinta de D. João de Almeida.
Em toda a zona da avenida da República e da Rua das Picoas era já visível algum
casario…
A grande mudança
Até ao findar do século XIX, a “cara” da zona manteve-se na mesma. A grande mudança aconteceria em 1988, quando o arquitecto Ressano Garcia apresentou o seu plano para a alterar a fisionomia do território. Nascem então as avenidas novas.
Feita a expropriação dos terrenos, iniciou-se o processo de urbanização da actual Avenida da República, que até chegar ao nome que conhecemos passou por outras designações: Avenida das Picoas e Avenida Ressano Garcia.
Aos poucos, o plano de expansão foi sendo uma realidade, alargando-se a ruas e avenidas adjacentes da actual freguesia de Nossa Senhora de Fátima, sendo sempre acompanhado por um importante projecto de arborização, com a plantação de choupos, acácias do Japão,
faias, ailantos, acácias brancas, entre outras espécies).
A construção da Linha Férrea da Cintura em 1890, com a estação de Lisboa-Rego veio permitir um maior crescimento da zona, através do transporte de passageiros e mercadorias. Era o verdadeiro salto da zona, já que poucos anos depois, já no início do século XX, o bairro recebia o Hospital de Tuberculosos, os bairros habitacionais da Bélgica, Londres e de Santos e a Escola de Construção Civil de Palma.
É em 1934 que se inicia a construção da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, que fica concluída quatro anos mais tarde. Até lá chegar houve, porém, que ultrapassar muita polémica, a propósito da arquitectura alegadamente ousada do arquitecto Pardal Monteiro. Salazar opunha-se ao modernismo das formas, mas o parecer favorável do Cardeal Cerejeira acabou por ser suficiente para que as obras avançassem.
A década de 30 foi de intensa contestação política, cujo ponto alto aconteceu a 4 de Julho de 1937, quando o presidente do Conselho, Oliveira Salazar é vítima de um atentado anarquista na Avenida Barbosa du Bocage.
Os últimos anos têm sido de verdadeira terciarização das Avenidas Novas: as casas dão lugar a escritórios e a lojas, os pequenos pontos de venda dão origem a supermercados e lojas de marcas de nomeada e muitas instituições optam pelas suas sedes ou instalações em grande edifícios. São os casos do BNY, Caixa Geral de Depósitos, Bolsa de Valores de Lisboa, RTP, entre muitas
outras.
Hoje, a freguesia corresponde a um dos centros nevrálgicos da cidade
Lisboa. É pelas nossas ruas que vive grande parte do lado empreendedor da capita, ainda que se consigam encontrar antigas habitações, muitas delas já de cara
lavada…
População sempre a descer
A freguesia de Nossa Senhora de Fátima, cujo território se estende por 187 ha, conta actualmente com 15.291
habitantes, de acordo com os Censos de 2001, produzidos pelo Instituto Nacional de Estatísticas
(INE). Esta é, porém, uma realidade em inversão, já que o número de residentes na freguesia tem vindo a cair ao longo dos
anos. Tal como, de resto, tem acontecido em toda a cidade de
Lisboa.
Um sector terciário cada vez mais pujante é parte da explicação, com os escritórios e lojas a roubarem espaço às residências
particulares. Juntam-se os preços das casas no centro de Lisboa e a antiguidade de muitos dos prédios da cidade para que se percebam as razões do mítico despovoamento da capital.
A freguesia de Nossa Senhora de Fátima também não foge à
regra. Com a remodelação administrativa feita em 1959, os Censos de 1960 registavam logo uma população de 35.262 habitantes na
freguesia. Em 1970, pouco passavam dos 27.500 residentes, um número quem 1981 era na ordem dos 26 mil. Em 1991, um novo
tombo: a freguesia tinha apenas 18.672 pessoas. Dez anos
depois, em 2001, como se viu, são poucos mais de 15 mil os cidadãos que vivem no nosso território.
Limites da freguesia
São estas as ruas e avenidas que fazem parte da freguesia de Nossa Senhora de Fátima. Algumas delas estão integradas em várias
freguesias, pelo que é necessário dar atenção à numeração.
RUA ACTOR ALVES DA COSTA
RUA ALBERTO DE SOUSA
RUA ALFREDO ROQUE GAMEIRO
AVENIDA ÁLVARO PAIS
AVENIDA ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA (DESDE OS Nº 9 A 36)
AVENIDA ANTÓNIO SERPA
RUA ARCO DO CEGO ( SÓ Nº IMPARES)
AVENIDA BARBOSA DU BOCAGE
RUA BENEFICÊNCIA
AVENIDA BERNA
LARGO CAMPO PEQUENO ( Nº 1 A 22 E 57 A 81)
LARGO CAMPO GRANDE ( SÓ O Nº 1)
RUA ALAMEDA DA ESTAÇÃO
RUA CARDEAL MERCIER
RUA CARLOS REIS
RUA CHABY PINHEIRO
AVENIDA CINCO DE OUTUBRO (DESDE Nº 51 A 349 E 36 A 242)
AVENIDA CONDE VALBOM
RUA CORDEIRO DE SOUSA
RUA CRISTÓVÃO DE FIGUEIREDO
RUA CRUZ VERMELHA
AVENIDA DEFENSORES DE CHAVES (DESDE Nº 30 E RESTANTES Nº PARES E
IMPARES)
RUA DIOGO MACEDO
RUA DOM LUÍS DE NORONHA
RUA DOMINGOS MONTEIRO
RUA DONA FILIPA DE VILHENA (SÓ Nº IMPARES)
RUA DOUTOR ÁLVARO DE CASTRO
RUA DOUTOR EDUARDO NEVES
RUA DOUTOR NICOLAU DE BETTENCOURT (DESDE A AV. DUQUE D´AVILA)
RUA DOUTOR SILVA TELES
AVENIDA DUQUE D´ AVILA (DESDE Nº 12 E SÓ PARES)
RUA EIFFEL
AVENIDA ELIAS GARCIA
RUA ENTRECAMPOS (DESDE Nº 1 A 5)
TRAVESSA ESPIRITO SANTO
RUA FALCÃO TRIGOSO
RUA FILIPE DA MATA
AVENIDA FORÇAS ARMADAS (SÓ Nº IMPARES E LOTE 2)
RUA FRANCISCO DE HOLANDA
RUA FRANCISCO TOMÁS DA COSTA
RUA FREI CARLOS
RUA GENERAL LEMAN
RUA ISIDORO VIANA
RUA IVONE SILVA (Á RUA LAURA ALVES)
RUA JORGE AFONSO
AVENIDA JOÃO CRISÓSTOMO (DESDE Nº10 E Nº 7)
RUA JULIETA FERRÃO
AVENIDA JÚLIO DINIS
ESTRADA LARANJEIRAS (DESDE Nº2 A 148)
RUA LAURA ALVES
RUA LUCIANO FREIRE
RUA MÁRIO CASTELHANO
RUA MARQUÊS SÁ DA BANDEIRA
AVENIDA MARQUÊS DE TOMAR
AVENIDA MIGUEL BOMBARDA
QUINTA MIL FLORES
PRAÇA NUNO GONÇALVES
RUA OPROJECTADA Á R. SOUSA LOPES
AVENIDA POETA MISTRAL
RUA PORTUGAL DURÃO
AVENIDA REPÚBLICA ( DESDE NºS 10 A 68 E 13 A 99)
RUA SANCHES COELHO
AVENIDA SANTOS DUMONT
RUA SOEIRO PEREIRA GOMES
RUA SOUSA LOPES
RUA TENENTE ESPANCA
RUA TOMÁS CABREIRA
AZINHAGA TORRINHA
RUA VELOSO SALGADO
AVENIDA VISCONDE VALMOR